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Predadores em extinção

Declínio de grandes predadores representa risco à preservação global. 10/jan./2014

          Em ecossistemas ao redor do mundo, o declínio de grande predadores como leões, dingos, lobos, lontras e ursos tem mudado as paisagens selvagens desde os trópicos até o Ártico. Uma análise de 31 espécies carnívoras publicada nesta quinta-feira na revista Science mostra pela primeira vez os efeitos que ameaças como a diminuição do habitat, a perseguição por humanos e perda das presas estão virando a mesa contra a natureza e criando grandes centros de mortandade de predadores.

          A pesquisa descobriu que mais de 75% das 31 grandes espécies de carnívoros estudadas estão em declínio, e 17 dessas espécies agora ocupam menos da metade do território em que costumavam viver anteriormente, de acordo com os autores. A Amazônia está entre as áreas onde diversos animais estão perdendo sua população, assim como no sudeste da Ásia e em parte da África. Com algumas exceções, grandes carnívoros já foram exterminados de boa parte do mundo desenvolvido, incluindo Europa Ocidental e os Estados Unidos. Neste contexto destacam-se sete espécies em suas pesquisas sobre os efeitos ecológicos do declínio de carnívoros: leões africanos, leopardos, linces-euroasiáticos, puma, lobos-cinzentos, dingos e lontras-marinhas.

          Na Mata Atlântica, a onça-pintada (Panthera onca) está na iminência de desaparecer. Estima-se menos de 250 animais adultos vivos em todo o território, distribuídos em oito populações isoladas. E, aproximadamente 50 animais  estão de fato se reproduzindo e deixando descendente, um parâmetro crítico para a manutenção da diversidade genética. Entre as causas do declínio estão a perda de habitat resultante do desmatamento e da fragmentação da mata e também a caça. Estima-se que, atualmente, reste apenas entre 7% e 12% da cobertura original da Mata Atlântica, segundo Ronaldo Gonçalves Morato, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Se a onça sumir o saldo será negativo:

- “Quando um grande predador desaparece, pode haver explosão nas populações de herbívoros, como veados, catetos e queixadas. Em excesso, esses animais acabam consumindo todo o sub-bosque da floresta e isso implica em perda da capacidade de recomposição e perda de estoque de carbono. Em longo prazo, pode levar à quebra da dinâmica da floresta”, avaliou Morato.

- o desaparecimento da onça-pintada pode ainda causar aumento desmedido nas populações de predadores intermediários, como jaguatiricas e outros carnívoros. Por sua vez, isso poderá levar a um aumento na predação de ninhos e, potencialmente, à extinção local de muitas aves, importantes dispersoras de sementes, e alterar a estrutura da vegetação.

- “O predador de topo de cadeia tem um papel de regulação do ecossistema e, quando ele desaparece, um distúrbio é criado. Isso pode causar a extinção de algumas espécies, até que o ecossistema encontre um novo equilíbrio”, disse Galetti, professor do Departamento de Genética e Evolução (DGE) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

          Para tentar recuperar a população de felinos na Mata Atlântica um alerta foi feito na revista Science, em carta publicada por um grupo de pesquisadores brasileiros membros do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota). Já havia sido publicado também na Science um artigo sobre a recuperação da população de carnívoros no Hemisfério Norte graças a medidas adotadas há mais de 20 anos, como reflorestamento, reintrodução e translocação de indivíduos. Alguns fatores de manejo utilizados por lá permitiram que algumas espécies praticamente extintas voltassem a ocupar certos espaços. Nossa carta tinha o intuito de fazer um contraponto a esse artigo”, contou Morato.

          Na Ecoloja você pode adiquirir produtos que apoiam o Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros, ONG sediada em Atibaia - SP que desenvolve projetos de conservação dos mamíferos carnívoros neotropicais e de seus habitats em diversas regiões do país.

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